A crise financeira e o aquecimento global

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- setembro 12, 2013

Estamos assistindo uma crise que abalou a economia do mundo, demonstrando a fragilidade do mercado financeiro dos EUA com repercussão global ainda não mensurada. A minha preocupação é simples: o que irá acontecer a partir dessa ruptura?

Com certeza a principal lição será a de que a sociedade globalizada exige mecanismos institucionais mais eficazes de acompanhamento do mercado, com a finalidade de se evitar a repetição de fenômenos como esse. Em outras palavras, uma radical reinvenção das instituições nacionais e supranacionais se torna absolutamente necessária, principalmente se levarmos em conta que a crise tem origem na maior economia do planeta, valendo registrar que os números em jogo estão numa escala que se torna impossível para os cidadãos comuns terem noção do que representam: bilhões de dólares.

Devo confessar que de certo modo me sinto estarrecido com esses valores, imaginando se dispuséssemos de quantias semelhantes para enfrentar problemas como desigualdade social, pobreza e especialmente o combate ao aquecimento global.

A maior preocupação que tenho é simples: até que ponto a crise irá justificar o adiamento de decisões importantes para a humanidade em termos de incorporação na agenda de temas cruciais como água, substituição de combustíveis fósseis, enfim, Desenvolvimento Sustentável.

Explico: nas últimas décadas, na minha vida pública, sempre assisti crises que deslocaram temas cruciais da agenda em favor daqueles mais imediatos. E de certo modo mais uma vez me parece que o filme vai se repetir, sendo que o preço a se pagar é a perda do caráter de urgência associada às medidas cuja decisão deve ser tomada prontamente. Faço referência especialmente à necessidade de um plano mundial contra o aquecimento global, levando em conta que não temos mais do que uma dezena de anos para colocá-lo em prática.

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi aprovada em 1992, no Rio, sendo que o Protocolo de Kyoto entrou em vigência apenas em 2005, com medidas práticas e efetivas em fase de implementação contadas a partir de 2008 até 2012. Praticamente 20 anos para um resultado extremamente tímido. Se deixarmos para terceiro plano essa questão, ainda que estejamos sob efeito das mudanças climáticas, perderemos a oportunidade de evitar o pior, com conseqüências irreversíveis e muito mais dramáticas do que a crise financeira em curso.

O desafio é maior hoje do que há alguns dias atrás: tratar com a mesma urgência e se possível criar oportunidade para solucionar simultaneamente a economia e a crise climática. Em hipótese nenhuma deixar a crise financeira tirar da agenda dos tomadores de decisão o problema do aquecimento global.

 Arigo