A imoral tentativa de inviabilizar a Rede

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- setembro 30, 2013

O Congresso Nacional tem sido palco de uma manobra do governo Dilma, que demonstra muito o caráter ético com que as questões políticas têm sido tratadas: a tentativa casuística de dificultar a criação da Rede, com o único objetivo de não ter Marina Silva como forte candidata em 2014.

Caso a presidente Dilma quisesse efetivamente deixar um legado importante para o Brasil na esfera política, poderia ter emprestado o seu capital de maioria nas duas Casas para promover a reforma política.

Mas essa manobra mostra que todas as contas são feitas para garantir a reeleição da presidente. E nesse esforço, a “faxina” que ajudou a reforçar a imagem dela como alguém que se preocupa com a moralidade administrativa e com a ética política, não passou de sonhos de uma noite de verão.

A Rede se torna, no contexto político brasileiro, algo extremamente importante por trazer uma alternativa provocadora ao establishment partidário existente, caracterizado pelos dois grandes partidos, PT e PSDB, em relação aos quais orbitam os outros.

No poder, PSDB e PT não marcaram sua gestão por uma visão inovadora, ainda que tenham seu mérito de estabilização da moeda e de um combate mais efetivo à pobreza e desigualdade social.

Mas, nos dias de hoje, era de se esperar que o Brasil estivesse discutindo uma visão que fizesse com que caminhássemos para uma economia efetivamente de serviços, uma educação de qualidade em todos os níveis de ensino e investimentos para que aproveitássemos as vantagens que possuímos como maiores portadores de biodiversidade do planeta e de diversidade de biomas.

Hoje, no mundo, um dos grandes itens na agenda empresarial se chama biomimetismo, isto é, como aprendermos com a natureza e replicar esse aprendizado na produção de bens e serviços.

Nas grandes cidades, ao invés de aumentar a frota de automóveis, o governo federal deveria estar utilizando o BNDES para financiar um programa robusto de transporte público sustentável.

Mas, ao contrário, estimula os grandes congestionamentos e simplesmente lava as mãos como se não lhe dissesse respeito uma boa articulação entre transporte público, uso do solo e planejamento urbano.

É sempre bom lembrar que quanto melhor a representação política dos partidos, maior a certeza de que os debates irão se refletir em boas políticas públicas.

Os argumentos de que o projeto aprovado na Câmara visa corrigir as distorções relativas a partidos nanicos e a legendas de aluguel não resistem a qualquer teste de realidade.

Como equiparar Marina Silva e aqueles que estão com ela com os representantes dessas legendas de aluguel, que negociam a preço de ouro a sua adesão a este ou àquele candidato?

Nesse momento sou cada vez mais Rede e Marina Silva. Indignado com o casuísmo perverso praticado pelo governo e que pretende, por artifícios amparados pela maioria parlamentar nas duas Casas, excluir do debate democrático um partido que surge no coração da sociedade. E que traz uma visão de um Brasil do século XXI.

Artigo publicado em 25 de abril de 2013.