Aliança pelas cidades frias (cool cities)

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- outubro 14, 2013

Diante da crise planetária que aflige a nossa geração, sempre remanesce um certo sentimento de impotência diante da magnitude dos desafios. O clima do planeta está em inegável mudança, o que já sentimos no dia-a-dia.

A cada novo relatório das Nações Unidas ou mesmo da comunidade científica, surgem novas informações assinalando a urgência de mudanças nos tempos atuais. Nenhuma outra geração teve um desafio tão grande: do nosso comportamento e capacidade depende o futuro.

Os governantes possuem responsabilidade maior do que os cidadãos comuns, uma vez que são portadores de maior poder de decisão, ainda que os interesses de curto prazo conflitem com os de longo.

Poucos políticos enfrentam a armadilha eleitoral determinada pelo curtíssimo prazo. O maior desafio do desenvolvimento sustentável reside em articular a convergência desses interesses.

No campo empresarial, a situação não é muito diferente: acionistas e investidores também procuram o retorno imediato. Parte da crise pode ser atribuída à ditadura do curto prazo e à falta de visão dos tomadores de decisão.

O cidadão precisa exercer um protagonismo grande para quebrar esta lógica cruel, escolhendo bem seus representantes e exigindo um novo desenho institucional que vá além daquele praticado nos últimos duzentos anos, incluindo a necessidade de se construir uma cidadania planetária com direitos e deveres.

Há que se ampliar o repertório de escolhas da sociedade e buscar incessantemente novos arranjos políticos.

Semana passada, ocorreu um evento que, a meu ver, indica que a sociedade está se conscientizando e se mobilizando em busca desses novos arranjos e ampliação do repertório de escolhas: o Simpósio Brasileiro da Construção Sustentável, sob responsabilidade do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

Esta é uma iniciativa pioneira no mundo que busca institucionalmente articular empresários, acadêmicos, profissionais das mais diversas áreas e líderes governamentais na busca de uma agenda pública para implementar, no Brasil, políticas de construção civil sustentável.

A construção civil é um dos setores mais estratégicos no mundo do ponto de vista do seu impacto no uso dos recursos naturais e geração de resíduos, tendo sido elencado pelo documento das Nações Unidades, “Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication”.

Além disso, poucos setores no Brasil geram tantos postos de trabalho, em toda sua cadeia produtiva. E, talvez o mais importante, é que este setor afeta dramaticamente o nosso cotidiano: é óbvio, mas temos que lembrar que a qualidade dos seus produtos influencia o nosso bem estar individual, já que, no mundo urbano, vivemos a maior parte do tempo em escritórios ou em nossas casas.

Não foi por acaso que o presidente do CBCS, Marcelo Takaoka, foi eleito Presidente do Conselho da UNEP SBCI – Sustainable Buildings and Climate Initiative, e, na mesa com a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, ficou claro que o Brasil pode se transformar em uma referência mundial em construção sustentável.

Desde que tenhamos consciência de que estamos diante de uma grande oportunidade, caso as nossas mentes estejam abertas para inovação.

Aprendi muito quando vi que certas iniciativas podem fazer toda a diferença, como a articulação de cidades frias (cool cities) e telhados frios (cool roofs): novos materiais e tintas apropriadas nos telhados dão esperança de que poderemos assumir os desafios da nossa geração.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 15 de agosto de 2011.