As redes sociais e as eleições

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- outubro 7, 2013

O mundo contemporâneo vê, a cada momento, o aumento da demanda por transparência e accountability, sendo esta palavra de difícil tradução. Seu significado se aproxima ao de “prestação de contas”, mas creio que vai além.

Quer no campo na sociedade civil ou do setor empresarial, surgem mecanismos que permitem maior accountability, com o objetivo de permitir à sociedade um melhor acompanhamento das instituições.

As perguntas são: a ONG está cumprindo com seus objetivos institucionais? Como o meu dinheiro está sendo aplicado? As empresas também estão sendo pressionadas a ter maior transparência e a prestar contas quanto aos seus resultados, nestes contemplados aspectos não monetários.

Na Rio+20 Pavan Sukhdev, um dos mais brilhantes economistas da chamada economia verde, fez uma proposta instigante e desafiadora no sentido de se incorporar, na contabilidade das empresas, as externalidades negativas.

E quanto aos governos e aos políticos? Nas democracias, novos instrumentos são introduzidos de época em época com o objetivo de se assegurar transparência e prestação de contas na administração pública. Os tribunais de contas estão se aprimorando e passam a incorporar, inclusive, novas dimensões no que tange a sua atuação.

Como tem feito com destaque o Ministro Aroldo Cedraz, que na sua atuação tem colocado temas como aquecimento global, desastres naturais e, mais recentemente, o tema de conservação dos solos.

Para um país agrícola como o Brasil, este é um dos pilares fundamentais para se assegurar a sustentabilidade nessas atividades. Cabe se assinalar também a importância da nova Lei nº 12.527 de Acesso a Informação de 2011, que está permitindo aos brasileiros conhecer melhor os gastos públicos, os detalhes das decisões técnicas, enfim, é um passaporte para a efetivação da nossa democracia e cidadania.

Na esfera ambiental, desde 2003, existe uma legislação própria, a Lei nº 10.650 de Acesso à Informação Ambiental que garante transparência no que tange aos órgãos governamentais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama).

As eleições sempre são importantes porque representam, para o bem ou para o mal, um ajuste de contas entre os políticos e os eleitores. A cada quatro anos os primeiros se apresentam a uma espécie de “vestibular”, esperando aprovação por parte dos últimos. Esta é a essência da democracia representativa, ainda que mereça aprimoramentos.

No caso dos parlamentos, os eleitores fazem a sua avaliação em relação ao mandato dos seus representantes, empregando vários critérios: fomos bem representados no que tange às nossas reivindicações? Quantos projetos de lei foram apresentados ou aprovados? Qual a postura do meu parlamentar em relação à corrupção e questões programáticas?

No que tange à disputa majoritária, a questão se torna mais complexa e os debates entre os candidatos, ainda que importantes, não têm permitido que o eleitor possa, efetivamente, exercer um voto consciente.

É hora, portanto, de pensarmos em novos formatos, com utilização das novas mídias digitais para que os eleitores possam fazer boas escolhas.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 9 de agosto de 2012.