Basta à impunidade

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- outubro 4, 2013

O Brasil, mais um vez, se vê diate de um novo escândalo politico: o pagamento de propina à secretários e deputados do Governo do Distrito Federal. Realmente a desfaçatez integrou a pratica politica de alguns políticos, que, se antes diziam que os recursos se destinavam ao financiamento de campanha, hoje transformam o apoio em mercadoria paga pelo contribuinte.

O problema é que a impunidade é a norma tolerada pela sociedade, uma vez que o poder judiciário requer uma tramitação muito longa em sua apreciação, e tais políticos acabam sendo reeleitos por força de campanhas milionárias e imbatíveis, E esse conjunto induz a sociedade a desvalorizar a atividade politica e colocar todos os políticos no mesmo saco: todo mundo rouba e isto faz parte do jogo democrático.

Para minha geração, que lutou pela democracia e, tais juízos são fatais. A médio prazo, se desvaloriza a representação politica com graves prejuízos a valores fundamentais. E realmente é difícil demonstrar que a solução do problema passa por uma reforma politica radical, que valorize os partidos políticos e os tornem mais aptos a prestarem contas a sociedade.

Hoje a representação politica tradicional já enfrentaria dificuldade pela existência de um enorme conjunto de novos atores sociais, a exemplo das ONGs e a própria diversidade dos meios digitais, de modo que estamos diante de um desafio enorme, que se dá pelo convencimento do papel importante dos parlamentos nas varias esferas.

Como justificar 10 mil funcionários para 81 senadores? Como defender os mega orçamentos dos parlamentos pelo país afora? Como defender a ampliação do numero de vereadores por recente iniciativa do Congresso Nacional? Como justificar a lentidão na apuração e posterior punição dos crimes praticados?

Acredito que o instrumento mais importante do cidadão é o voto.

Nas próximas eleições, de 2010, teríamos que nos esforçar no sentido de que faça constar na agendados principais partidos políticos a reforma política. Para isso, a exemplo do que ocorreu com o movimento das Diretas-Já e da própria Assembléia Nacional Constituinte civil, ao setor empresarial cosmopolita e à própria mídia, a liderança desta iniciativa, “politizando” a campanha eleitoral.

O principal ganho seria o de fazer com que os partidos políticos deixassem de ser “partidos meramente eleitorais” e colocassem para a sociedade nas eleições seus programas, demonstrado coerência com suas praticas. Com isso, o eleitor poderia, usar o seu voto prestigiando aqueles candidatos coerentes com seus ideais e, ao mesmo tempo, punindo os corruptos e oportunistas.

O maior problema – como já disse- é que hoje o envolvimento em escândalos não significa necessariamente problemas eleitorais. Pode sr até que as campanhas desses candidatos se tornem mais caras e clientelistas por conta desses escândalos, mas, no entanto, as ultimas eleições mostrariam que mensaleiros se elegeram e muitos políticos sérios perderam a eleição. Isto porque os escândalos aumentam a descrença dos eleitores no sistema político de representação parlamentar, tornando-os mais apáticos e indiferentes às próprias eleições. Em outras palavras, todo mundo é igual e todos os políticos são ladrões.

Não há solução mágica: o pais precisa amadurecer, melhorando a qualidade dos políticos e criando o mecanismo ágeis de punição aos corruptos, separando, desse modo, o joio do trigo.

Artigo publicado no Terra Magazine em 04/12/2009.