Biodiversidade em pauta

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- agosto 21, 2013

Nos dias 13 e 14 de julho foi realizado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados o Seminário “Ano Internacional da Biodiversidade: os desafios para o Brasil”. Como já mencionei em diversas oportunidades nesse espaço, esse é um ano muito importante para o tema pelo fato de que, no próximo mês de outubro, será realizada em Nagoya, Japão, a COP 10 (Conferência das Partes) da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas. Atenta ao assunto, a Comissão de Meio Ambiente, por meio de seu Presidente, o Deputado Jorge Khoury, proporcionou um debate riquíssimo sobre as mais variadas temáticas que compõem o tema da biodiversidade, contando com a presença de representantes do mais alto nível da esfera governamental, setor empresarial, ONGs e academia.

Tive a oportunidade de ajudar na elaboração do conteúdo do seminário e na formulação dos painéis e posso dizer que essa experiência foi enriquecedora. Pensar nos desafios que a biodiversidade enfrenta no Brasil, que é o país mais megabiodiverso do mundo, não é tarefa fácil. No entanto, é tarefa essencial. Temas como a posição brasileira a ser levada à Nagoya; o estado de conservação dos recifes de coral e dos biomas brasileiros; o desafio das espécies exóticas invasoras; o turismo sustentável; o impacto de empreendimentos de infraestrutura; as mudanças climáticas; pesquisa e conhecimento, dentre tantos outros, foram alguns dos assuntos tratados durante esses dias de seminário.

Alguns temas, em específico, chamaram a atenção de todos por sua extrema importância, como o painel sobre recifes de coral. Muitos não sabem, mas o Brasil possui os únicos ambientes recifais de todo Atlântico Sul, que se localizam principalmente no Sul da Bahia, sendo que grande parte deles são endêmicos, ou seja, só ocorrem naquela região, conferindo ao país uma enorme responsabilidade de proteção e uso sustentável desses ambientes. Os recifes de coral também compõem o habitat marinho mais diverso do mundo e por isso têm sua importância comparada ao valor das florestas tropicais, já que também prestam uma variedade de bens e serviços ambientais. Dentre esses serviços, é importante destacar a proteção do litoral contra a ação das ondas, a proteção e berçário para as espécies marinhas, seu uso recreativo e turístico e como fonte de compostos medicinais.

Foi destacada no painel, também, a importância socioeconômica dos recifes de coral. No Brasil, 18 milhões de pessoas dependem direta e indiretamente desses ecossistemas, principalmente em função da geração de turismo, que influencia de forma significativa na economia do nosso país. Inclusive o tema “Turismo e Biodiversidade” também foi objeto de um dos painéis do seminário, sendo coordenado pelo Deputado Ricardo Tripoli, que sempre se mantém à frente nas discussões relacionadas às questões ambientais. Nesse painel, os palestrantes demonstraram como a conservação da biodiversidade é importante para gerar turismo e conseqüentemente garantir oportunidades de combate à pobreza e à desigualdade social, onde, como já mencionado, os recifes de coral têm um papel importantíssimo.

No entanto, o uso desordenado e a degradação vêm destruindo em uma velocidade alarmante esses corais, sendo que 27% dos recifes mundiais já desapareceram. Outros fatores que implicam na destruição desses ambientes são os grandes projetos de infraestrutura na zona costeira, tais como atividades portuárias e a mudança do clima. Em relação a esse último, pelo fato dos corais serem ecossistemas frágeis, eles são os primeiros a sentirem o efeito das mudanças climáticas. O aumento da temperatura da água, por exemplo, é um dos principais fatores de degradação dos recifes de coral. Portanto, em decorrência da fragilidade inerente aos recifes de coral, estes podem ser os primeiros ecossistemas a serem extintos funcionalmente.

Temos a nossa frente uma realidade alarmante e que exige consciência por parte de todos, dos governantes à população em geral, para que esses ambientes sejam conservados. Segundo o Professor Clóvis Castro, coordenador do Projeto Coral Vivo, é preciso aumentar a consciência e conhecimento sobre o que são esses ambientes e sua importância.

O Brasil deve exercer um papel de liderança na próxima reunião das Nações Unidas sobre o tema no próximo mês de outubro. O país que é o mais rico em diversidade biológica deve liderar o bom exemplo, cumprindo suas metas de redução de perda de biodiversidade perante a ONU, a sociedade e as futuras gerações, que dependerão dos mesmos recursos que dispomos hoje.

Publicado no Terra Magazine em: 23/07/2010.