Cadê o verde?

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- outubro 10, 2013

Foi divulgado essa semana um fato alarmante para a cidade de São Paulo: estamos acabando com nossas áreas verdes. Centenas de árvores têm sido cortadas e removidas para que a área construída da cidade possa ser aumentada, o que certamente trará uma série de problemas graves ao funcionamento da cidade. Nesta semana foi divulgada a construção de um condomínio de casas em umas das maiores áreas verdes de São Paulo, dois terrenos vizinhos no Alto da Boa Vista, região nobre de Santo Amaro, que juntos formam um bosque de 149,4 mil m2 – equivalente a 21 campos de futebol ou três vezes o parque Trianon, na Paulista.

O enorme “boom” imobiliário paulistano é o principal responsável pela grande parte das autorizações de supressão de vegetação existentes hoje em São Paulo: enormes áreas verdes estão sendo convertidas em condomínios de casas e grandes prédios. Esse  “boom” imobiliário não é responsável apenas pela supressão de vegetação na cidade, mas também por parte do caos instalado no tráfego urbano: os condomínios e grandes prédios estão sendo construídos sem que nenhum planejamento urbano seja feito, sem que haja investimento em transporte público ou melhoria das vias de acesso, o que tem gerado o aumento indiscriminado do tráfego em vias que não suportam a demanda e simplesmente param. O planejamento destes empreendimentos deveria sempre ser acompanhado do Estudo de Impacto de Vizinhança, instrumento capaz de antever os possíveis impactos e propor soluções integradas para tratar do tema.

Quanto ao corte de árvores, este é feito com a autorização de um TCA (Termo de Compensação Ambiental), que geralmente autoriza a supressão, desde que parte dessas árvores seja replantada ou que um determinado número de mudas seja plantado em outras regiões da cidade. Apesar de garantir a presença de verde na cidade, estes TCAs não colaboram muito com a manutenção de espécies animais e do clico hidrológico na cidade, já que altera as áreas plantadas, que geralmente servem como corredor ecológico para muitas espécies e são pontos permeáveis que garantem o curso natural da água.

A extinção de áreas verdes na cidade trará uma série de conseqüências à população, como aumento indiscriminado das enchentes, por conta da impermeabilização do solo; aumento da temperatura média, por conta da ausência de áreas verdes e aumento das “ilhas” de calor; entre outras.

O importante é que se entenda que a necessidade da presença de áreas verdes na cidade não é apenas um desejo infundado de ambientalistas e sim um fato necessário para a manutenção da qualidade de vida nos grandes centros, já que a vegetação oferece uma série de “serviços ambientais” extremamente necessários. A manutenção de áreas verdes precisa fazer parte do dia-a-dia dos tomadores de decisão, que devem incorporar o valor implícito destas áreas em suas