Clima e áreas verdes

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- agosto 26, 2013

Começo meu artigo dessa semana falando de um importante evento que aconteceu ontem em Brasília, organizado pelo Observatório do Clima, rede formada por entidades ambientalistas e facilitada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – Gvces.

 

O evento reuniu diversas das mais importantes ONG’s e promoveu um debate entre representantes do governo, parlamentares e sociedade civil sobre a posição brasileira nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas e sobre o papel do país na próxima reunião da ONU sobre o tema, que acontecerá em dezembro deste ano em Copenhague, Dinamarca.

 

O evento possibilitou um debate importantíssimo no atual momento em que vivemos, no qual o engajamento acerca do tema do aquecimento global é fundamental, já que em menos de seis meses ocorrerá a reunião de Copenhague, que tem como missão o estabelecimento de um novo acordo climático.

 

Ontem, os negociadores presentes puderam ser questionados sobre a política externa brasileira sobre mudanças climáticas e receberam das entidades presentes um Manifesto expressando a necessidade de que sejam adotadas políticas públicas mais consistentes que tratem das mudanças climáticas no Brasil (disponível na íntegra aqui http://intranet.gvces.com.br/arquivos/manifesto_oc.pdf)

 

O Manifesto pede para que o governo federal adote ações imediatas, de modo que o país possa enfrentar o desafio climático e seus impactos nas áreas econômica, social e ambiental. Dentre as ações sugeridas pelas entidades ambientalistas, está a aprovação da lei que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas, atualmente em trâmite no Congresso Nacional. Dentro dessa questão, é muito importante o enfoque no tema dos transportes sustentáveis, privilegiando o transporte coletivo, bem como o plantio de árvores e manutenção de áreas verdes. O estabelecimento deste marco regulatório é fundamental para orientar o país rumo a uma sociedade de baixo carbono.

 

Em relação à ampliação da Marginal Tietê e conseqüente corte de 559 árvores (a maioria de espécies exóticas), fui consultar as medidas de compensação exigidas no licenciamento. Dentre outras, estão previstas o plantio de 4.900 novas árvores ao longo da própria Marginal e o plantio de outras 83 mil no entorno da Marginal, que servirá para minorar as ilhas de calor nestes bairros adjacentes. Ao final, prevê-se que a Marginal tenha 9.930 árvores.

 

Todavia, num contexto mais amplo, é notório que a opção feita é privilegiar o transporte individual, o que a curto prazo significa maiores congestionamentos e poluição do ar, como já discutimos vários vezes nesse espaço do Terra.