Código Florestal, energia nuclear e C40

Artigos

- outubro 15, 2013

Nas últimas semanas, tivemos fatos marcantes: a aprovação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, a decisão da Alemanha em renunciar à energia nuclear e a realização do C40 (Climate Leadership Group) na cidade de São Paulo.

Estes eventos, amplamente noticiados pela mídia, demonstram que os temas ambientais e de desenvolvimento sustentável estão presentes na agenda política do Brasil e do mundo.

No caso do Código Florestal, surgiu, claramente, a polarização entre duas visões de mundo: aquela refletida no relatório do deputado Aldo Rebelo, do século XIX/XX, incapaz de aprender as novas tendências mundiais e o novo mundo que se configura.

Em suas declarações, a sociedade civil brasileira estaria articulada em uma “conspiração” contra os interesses da agricultura brasileira.

A outra visão de mundo, do século XXI, procura o balanço entre o uso dos recursos naturais e a necessidade de garantir, a médio e longo prazos, os serviços ambientais gerados pelos ecossistemas.

Em outras palavras, garantir a sustentabilidade, ou seja, a incorporação do médio e longo prazo na tomada de decisão.

A decisão alemã é resultado direto do acidente de Fukushima: “a única usina nuclear segura é aquela que não foi construída”.

A população alemã manifestou, nas últimas eleições, um claro repúdio à energia nuclear pelos riscos envolvidos e a chanceler Angela Merkel tomou uma decisão corajosa que, embora tenha um alto custo no curto prazo, irá produzir grandes benefícios a médio e longo.

A Alemanha terá que promover muitos investimentos em inovação tecnológica, assegurando suprimento de energia através da energia eólica, solar, enfim, as fontes do futuro.

Além disso, terá como desafio promover um melhor gerenciamento da demanda, isto é, a produção de bens e serviços com menor intensidade de energia. Provavelmente a experiência alemã será uma referência indispensável para que o planeta possa suportar o crescimento populacional e os padrões de consumo das classes médias emergentes.

O C40 é uma iniciativa surgida em 2005, cuja finalidade é engajar as principais cidades do mundo no combate ao aquecimento global e no enfrentamento da mudança do clima. Permite às cidades participantes trocar experiências em termos de políticas públicas e iniciativas inovadoras.

A sua realização em São Paulo torna-se emblemática porque insere esta agenda na política brasileira, normalmente caracterizada por um caráter essencialmente paroquial e, por isso, incapaz de formular políticas antecipatórias para os problemas urbanos.

No caso do C40, existe uma mensagem que transcende o evento de São Paulo: a necessidade de ampliar a representação política das megacidades nas discussões globais.

Tuvalu, um país com pouco mais de 12 mil habitantes, participa de todas as negociações internacionais do clima e cidades como São Paulo, Curitiba, Londres, Nova Iorque não têm um espaço de participação maior que não seja através de seus governos nacionais.

Enfim, hoje o conflito de ideias não é mais de esquerda e direita como ocorria até poucas décadas atrás, mas de visões de mundo do século XIX/XX versus século XXI.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 6 de junho de 2011.