Educação no século XXI

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- outubro 14, 2013

A educação é tema recorrente na agenda brasileira e do mundo, uma vez que é evidente que países com os melhores índices têm mais oportunidades em um mundo no qual conhecimento e capital humano são ativos indispensáveis para o progresso de suas sociedades.

No Brasil temos percebido avanços, principalmente se levarmos em conta que grande parte das nossas crianças está na escola. Ou seja, temos escola, mas a qualidade do ensino certamente é algo assustador como demonstrou o Exame Nacional do Ensino Médio.

Essa questão é muito importante para qualquer família porque a única garantia de boa oportunidade para um filho é a boa educação.

Para mim, de família judaica, a educação sempre foi prioridade número um por conta da herança de perseguições: o único bem que se pode efetivamente levar consigo é o preparo intelectual e profissional, diante da necessidade de imigrar para outro país.

É na educação que se garante igualdade de oportunidades, de modo que não existe melhor estratégia de combate à desigualdade social do que investimentos no sistema de educação do país.

Como disse o sociólogo Simon Schwartzman: “Saber como gerenciar a escola para que o resultado que se busca seja seu principal objetivo que é educar; dar formação adequada para professores; organizar disciplinas; procurar experiências de outros países. Não há solução fácil. Antes era colocar a criançada na escola; construir escola e chamar professor. Agora é desenvolver inteligências” (O Globo, 19/06/2011).

A educação se torna mais relevante na medida em que se verifica que os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento das pessoas, de modo que é primordial que nesta fase a criança tenha a possibilidade de aprimorar todo seu potencial.

Ou seja, as pessoas privadas de uma boa educação nos seus primeiros anos de vida, necessariamente terão mais dificuldades do que os outros, além de, na maioria das vezes, também terem de enfrentar questões como os impactos negativos da má alimentação.

Algo importante e incontestável é que o tema está cada vez mais presente na sociedade, como se verifica na grande cobertura da mídia sobre a matéria, demonstrando que mesmo com todas as dificuldades, há na nossa sociedade, clareza quanto à importância estratégica da educação. Não há pai neste planeta que não se preocupe com a educação dos filhos.

Entretanto, acredito que neste debate há necessidade de se colocar outras questões que já são debatidas em outros países, mas que me parecem ausentes aqui no Brasil.

Refiro-me basicamente a temas como criatividade – desenvolvimento de potencialidade neste campo, uma vez que este é um ativo que tende a ser cada vez mais valorizado com as novas economias, a exemplo do que se denomina economia criativa.

Que curriculum pode ser desenvolvido para permitir uma visão mais holística da realidade e desenvolvimento de conhecimentos multidisciplinares, com a finalidade de estimular a criatividade das pessoas?

Embora não tenha resposta fácil, creio que o Brasil ganharia muito se incorporasse na educação temas contemporâneos como esse, a exemplo do que já ocorre na Inglaterra.

É preciso uma mentalidade aberta que permita incorporar nas discussões recorrentes, novas visões e os conhecimentos que a neurociência tem trazido. Sem enfrentar os desafios do século XXI, estaremos pensando a educação como modelos educacionais do século XIX.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 19 de setembro de 2011.