Ética no uso do celular

Artigos

- outubro 14, 2013

Esta semana vou falar de etiqueta do uso de celular. Este se transformou em um objeto absolutamente indispensável na vida da maioria das pessoas, sendo que seu uso tornou-se um verdadeiro vício, como revelam muitas matérias noticiadas na imprensa.

Falo em etiqueta porque o celular também se transformou no principal instrumento de perturbação dos outros em salas de cinema, jantares, palestras e mesmo nos aviões. Nestes últimos, é difícil não se conviver com o vizinho que insiste no seu uso, ainda que proibido por afetar a segurança dos aviões.

Vivi uma situação peculiar com o uso de celulares. Responsáveis por convidar pessoas para um jantar ecológico, eu e minha equipe nos vimos obrigados a fazer o convite a muitos dos participantes pelo celular, uma vez que não tínhamos outra forma de contatá-los ou obter as respectivas confirmações.

Assim, a equipe do escritório enfrentou algumas situações extremamente desagradáveis pelo fato de que muitas pessoas tiveram reações indignadas por estarmos “invadindo a sua privacidade”. Cabe observar que nem todos os convidados nos conheciam e se mostravam surpresos por termos utilizado os seus celulares.

Quase simultaneamente, vivi, pessoalmente, a situação inversa: um telefonema no celular, no meio de uma entrevista, com a finalidade de obter dados corriqueiros, que poderiam ter sido obtidos por e-mail ou telefone fixo no escritório.

Confesso que a minha reação foi de absoluta irritação diante da “intrusão”, o que me levou a fazer um pedido formal de desculpas, com envio de flores.

Como dizem que o exercício da compaixão significa se colocar no chinelo dos outros, pensei muito a respeito do ocorrido. Considero que o uso ou abuso do telefone celular invade a privacidade das pessoas, o que está se tornando cada vez mais comum, ainda que nada justifique a rispidez das reações que tais práticas causam.

Conversando com os amigos a esse respeito, pactuamos uma etiqueta referente ao uso do celular. Algumas de suas regras seriam: 1. Não utilizar o celular em ambientes públicos, tais como cinema e palestras; 2. Em reuniões, deixar o celular sempre no modo silencioso ou “vibra call” e, se ele tocar, não atendê-lo; 3. Falar sempre em tom baixo; 4. Usar o celular apenas quando os outros meios se esgotarem, e 5. Antes de fazê-lo, enviar torpedo solicitando licença para isso; 6. Nunca divulgar o celular dos amigos ou conhecidos sem prévia autorização dos mesmos; 7. Nunca ligar a cobrar, sob qualquer alegação; 8. Mesmo que as regras anteriores sejam desrespeitadas, tratar sempre o interlocutor com educação; 9. Caso a regra anterior seja descumprida, com humildade, fazer pedido formal de desculpas e 10. Aceitar o pedido de desculpas.

Certamente, outras regras podem ser sugeridas e creio que seria muito bom se muitas pessoas pensassem a respeito e fizessem outras sugestões.

Afinal, estamos em uma era em que as regras podem ser pactuadas através do convencimento pela internet, e, quanto mais debatidas, maior a probabilidade de aderência social.

Não se trata de punir os “infratores”, até mesmo porque, ainda que existam regras legais, sempre estaremos diante de pessoas que furam as filas pegando o acostamento…

Muita gente, ao ler esse artigo, deve achar que não devemos perder tempo com coisas tão triviais, mas sou da opinião de que, através delas, podemos construir uma sociedade com mais ética e respeito mútuo.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 8 de agosto de 2011.