Exercendo nossa cidadania planetária

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- outubro 4, 2013

No Brasil a lei que proibiu a captura das baleias completa hoje 21 anos. A baleia é o grande símbolo da luta conservacionista no planeta por razoes óbvias. Trata-se de um mega-mamífero, capaz de sensibilizar a opinião publica.

Esta lei brasileira foi proposta pelo Deputado Gastoni Righi, enfrentando muitas dificuldades para sua aprovação, uma vez que a bancada da Paraíba naquele período obstruí ao projeto de lei sob alegação de que a suspensão de pesca  da baleia traria desemprego na região, mais especificamente no município de  Cabedeiro. O Senado era presidido pelo Senador Humberto Lucena, que chegou a pedir que eu fosse enquadradona lei de segurança Nacional por ter denunciado publicamente a ação dos lobbies paraibanos, apoiados pela empresa japonesa responsável pela dizimação das baleias que vinham para a costa brasileira. O Supremo Tribunal Federal determinou o arquivamento do processo…

A aprovação do projeto de Lei se deu graças a uma intensa mobilização da opinião pública brasileira, liderada por pessoas como Truda Palazzo, Almirate Ibsen Gusmão Câmara e entidades como o Ceacom e a Comissão de Defesas das Baleias representadas pela ecologista Ana Maria Pinheiro e por David Stevens. Lembro que uma ds t´ticas adotadas pelos lideres do movimento foi o envio de milhares de cartas aos familiares dos senadores da Paraíba, especialmente seus filhos que recebem inúmeros desenhos de crianças do país inteiro. Dagomir Marquese com a sua coluna “Recado Ecológico” foi um dos grandes responsáveis por esse exemplo da cidadania planetária. O movimento culminou com a tomada da cúpula do Senado pelos ambientalistas que lá colocaram uma baleia de plastico chamada Flo, e gostas vermelhas de sangue simbolizando o sofrimento dos animais.

Ainda há grande resistência ao fim da pesca da baleia em alguns países, entre os quais o Japão, que continua com esta pratica com o objetivo de assegurar aos japoneses o consumo de carne desse mamífero. É bom lembrar que até o advento da eletricidade o óleo de baleia era importante como fonte de energia bem como para outros fins. No Brasil, José Bonifácil à sua época já defendia o fim da caça às baleias.

A matéria do ponto de vista internacional é regulada pela Comissão Internacional das Baleias que, depois de muita pressão, decretou a moratória à pesca das baleias, com exceção feita a pesquisa científica. O Japão se utiliza  desse desse subterfúgio para continuar com a “carnificina”, embora seja sabido que se trate explicitamente de uma fraude praticada diante dos olhos das autoridades japonesas.

O Greenpeace há anos tem defendido as baleias com suas ações, por todos conhecidas. Mais recentemente dois ativistas japonese, Junichi Sato e Toru Suziki, foram pesos em junho deste ano após comprovarem o esquema de vendas de carne de baleia, como resultado de quatro meses de investigação liderada pelo Geenpeace. O esquema de trafico de carne do animal envolvia o navio- fabrica   Nisshin Maru, que em tese vem praticando a caça de baleias com fins científicos.

O motivo da prisão dos dois japoneses se deveu ao fato de terem retirado do barco, após interceptação pelos ativistas, uma das caixas que supostamente transportava papelão, mas que de fato continha 23,5 quilos de carne de baleia, estimado em US$ 3 mil.

A única possibilidade de solução favorável aos ativistas japoneses depende da pressão da opinião pública sobre o governo japonês e as autoridades judiciais do país. Por essa razão esse artigo solicita aos leitores desta coluna que escrevam aos jornais brasileiros  favor dos ativistas presos, e às autoridades japonesas no Brasil; o Embaixador Ken Shimanouchi em Brasília e o Cônsul- Geral Masuo Nishibayashi em São Paulo.