Greenpeace: uma experiência enriquecedora

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- agosto 21, 2013

Essa semana compartilharei um pouco da minha experiência dentro de uma das organizações ambientalistas mais importantes do mundo, o Greenpeace. Fui membro de seu Board Internacional por três anos, tendo recentemente terminado o meu mandato, e durante esse tempo convivi com pessoas do mundo inteiro, discutindo não só sobre os temas ambientais mais relevantes, mas também aprendendo sobre o modelo de governança e estratégias de campanha e engajamento.

O Greenpeace é uma organização global independente, que atua para mudar atitudes e comportamentos para proteger e conservar o meio ambiente e promover a paz. Ele está presente em mais de 40 países, incluindo Europa, África, Américas, Ásia e Pacífico. A sua história é bem interessante e seu início, inusitado: tudo começou em 1971, quando um pequeno barco, com voluntários e jornalistas a bordo, navegava por Amchitka no Alaska, para impedir o governo americano de fazer testes nucleares. Desde então, a organização vem conquistando um enorme número de colaboradores que já ultrapassa os 2,8 milhões. No Brasil, a organização está presente desde 1992 e já reúne mais de 34 mil colaboradores.

Considero essa organização como uma das mais importantes e dinâmicas do mundo, pois ela ultrapassa seus objetivos e projetos, conseguindo atender a uma demanda extramente exigente da sociedade global, que faz questão de sua presença em todos os principais temas, conferências, e etc, sejam eles sobre mudanças climáticas, biodiversidade, desmatamento, energia renovável, baleias, dentre tantos outros. Sua missão ambiciosa faz com que especialmente os jovens se identifiquem com a organização e suas ações, e se disponham a trabalhar voluntariamente.

De certo modo, podemos dizer que a ONG captura no imaginário da sociedade contemporânea o espírito de luta e a vontade de transformação, representando a esperança de mudança. Seu atual Diretor Executivo Internacional, o sociólogo sul-africano Kumi Naidoo, simboliza completamente esse espírito de transformação e mudança, uma vez que ele é o primeiro africano à frente da ONG. Tive a oportunidade de participar do processo seletivo em abril do ano passado que escolheu Kumi como o Diretor, tendo inclusive compartilhado essa experiência neste espaço.

Kumi esteve no começo do mês aqui no Brasil para uma agenda intensa: viagem à Amazônia, encontro com empresários, reuniões com representantes do governo e sociedade civil. Ele acredita que o Brasil é um líder global e, por isso, tem suas responsabilidades.

Em sua opinião, a organização deve buscar maior contato com comunidades locais e movimentos sociais e abrir diálogo com as empresas, uma vez que essas têm um papel fundamental no combate às mudanças climáticas. Segundo Kumi, o“business as usual” não tem mais lugar no mundo contemporâneo.

Ter feito parte do Board Internacional dessa organização significou um grande aprendizado para mim. Compartilhei experiência com pessoas incríveis e ainda contribui com uma organização de sucesso, que consegue compatibilizar, de maneira excepcional, mais de 40 culturas organizacionais em torno dos objetivos da causa ambiental.

Publicado no Terra Magazine em: 27/03/2010