Holocausto: a desfaçatez da visita do presidente do Irã ao Brasil

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- agosto 29, 2013

O Brasil receberá em visita oficial o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nos próximos dias, como parte de sua estratégia de angariar apoio para a sua integração como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

É impossível deixar de condenar com veemência esta visita oficial depois do pronunciamento do presidente do Irã na abertura da Conferência Mundial sobre o Racismo ocorrida em Genebra no dia 20 deste mês, no qual o mesmo fez um pronunciamento contra o governo de Israel, afirmando que se trata de um Estado criado depois do final da Segunda Guerra Mundial, em que os aliados recorreram à agressão militar para tirar as terras de uma nação inteira com o pretexto do sofrimento judeu. Segundo ele, “Enviaram imigrantes da Europa, dos Estados Unidos para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada”.

O grave em tudo isso é que o presidente do Irã em declarações anteriores negou a existência do Holocausto praticado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, no qual mais de 6 milhões de judeus foram exterminados nas câmaras de gás dos campos de concentração, como Auschwitz, Bergun-belsen, Sachsenhausen, entre tantos outros.

Pessoalmente convivi com muitas pessoas sobreviventes dos campos de concentração, mas por se tratar de acontecimentos ocorridos há algumas décadas certamente nos próximos anos os registros da matança deixarão de contar com testemunhos pessoais, o que exige cada vez mais o repudio a manifestações, por mais absurdas que sejam, que procuram questionar os fatos ocorridos.

O repudio a presença do presidente do Irã é uma questão crucial no que tange ao respeito da dignidade humana e dos direitos humanos, não sendo uma matéria que afeta unicamente os judeus, até porque ciganos, homossexuais, deficientes mentais, comunistas, socialistas, enfim, milhões de pessoas foram dizimadas pelo regime nazista. No caso dos judeus, a estratégia de extermínio se denominou “solução final”, sendo planejada de modo a exterminar todo um povo, incluindo crianças…

Estranho que o Brasil receba o representante do Irã, até mesmo porque pelos critérios dos nazistas os principais dirigentes brasileiros, caso tivessem nascido naquele período na Europa, teriam sido enviados aos campos de concentração e provavelmente teriam o mesmo destino que as vítimas do Holocausto.