MAIS UMA DECISÃO…

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- outubro 16, 2013

Realizou-se na semana passada mais uma reunião anual do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), neste ano no Japão. Dentre os principais assuntos tratados na reunião estava obviamente as mudanças climáticas, pelo seu caráter urgente e extremamente desafiador. Após três dias de discussões e negociações, o Grupo chegou ao seguinte acordo quanto suas metas de redução na emissão de gases efeito estufa: 50% até 2050.

Para um mundo que tem 7 anos para frear suas emissões, segundo o próprio presidente do IPCC, essa meta fica muito vaga e distante. Segundo Pachauri, o mundo deveria estabilizar suas emissões até 2015 para que não entre em colapso e, após esta estabilização, deve trabalhar para que as mesmas emissões sejam reduzidas. A meta estabelecida pelo G8 não contempla tais previsões e joga muito adiante as decisões e ações que deveriam ser imediatas. A decisão do G8 deveria ser dividida em metas de médio e longo prazo, como por exemplo, a redução das emissões em 20% até 2020.

Ainda que muito tímida, a meta assumida pelo G8 tem seu mérito: trouxe os Estados Unidos para o diálogo e garantiu que pela primeira vez o país assumisse um compromisso de redução nas suas emissões. Certamente este fato não pode ser esquecido.

Além das metas dos países industrializados, sempre reitero que é imprescindível que países em desenvolvimento também assumam responsabilidade neste tema. Logicamente tais países colaboraram em menor parte para o agravamento do problema do aquecimento global, mas a situação atual do planeta e as previsões de como este estará em poucos anos, exige que todos tratem do tema com responsabilidade e discernimento. Países como China, Índia, México e Brasil deveriam se comprometer publicamente com uma meta de redução em suas emissões, mesmo que isto não esteja contemplado como obrigação em nenhum tratado internacional.

As previsões do IPCC divulgadas no ano passado e todos os outros estudos e previsões lançados este ano só corroboram com a idéia de que se foi o tempo do diálogo e da divagação, chegou-se o tempo das ações concretas. É necessário que cada ator assuma suas responsabilidades e aja localmente. Só assim seremos capazes de tentar lutar contra as conseqüências do aquecimento global, conseqüências estas que serão globais, independentemente da localização do maior ou menor responsável pelo problema. Não podemos esquecer: o mundo é um só.

Publicado no Terra Magazine em 15/07/2008.