No dia das mães dê um presente diferente

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- agosto 29, 2013

Vemos todos os dias nos jornais e televisões uma série de escândalos políticos que penduram sem resoluções, sendo que cada novo escândalo tem o incrível efeito de nos fazer esquecer do escândalo passado. Se por um lado estas notícias tão cotidianas são desanimadoras, por outro, existem iniciativas ocorrendo, extremamente importantes, de pessoas e da sociedade civil para melhorar o planeta, porém ausentes nos noticiários. Já são diversos os empreendedores sociais no Brasil, comuns entre si por uma qualidade ímpar: a generosidade.

Nesta semana pretendo então falar de idéias brilhantes, combinadas com gestos importantes e a determinação de “fazer acontecer” desses empreendedores sociais.

É inimaginável o sentimento de solidão/carência de uma criança que vive em um abrigo para crianças e adolescentes, pois foi separada temporariamente do convívio familiar por ter sido exposta a situações de negligência, maus tratos, abandono, violência física e/ou abuso sexual. Ou então a aflição da mãe de um bebê prematuro, distanciada de seu filho sem poder vê-lo, bem como a apreensão e as incertezas sobre a sua saúde e seu futuro.

Admira-me muito a iniciativa criativa da presidente da ONG InPróS (Instituto de Projetos Sociais) Muriel Matalon, com o projeto Correspondentes do Bem, que viu no gesto simples de troca de cartas periódica a possibilidade de crianças que moram em abrigos ou frequentam núcleos sócio-educativos, onde o desenvolvimento de vínculos afetivos é pouco consistente, experimentarem relações de afeto recíprocas, dividirem suas experiências e exercitar a reflexão da suas histórias de vida e individualidade, além de verem nas cartas um estímulo para desenvolver a habilidade de se expressar com palavras. O projeto viabiliza a correspondência destas crianças com voluntários adultos, inclusive com o acompanhamento de uma psicóloga que lê as cartas em sigilo garantindo que a troca seja benéfica para ambos, cada qual com seus objetivos específicos.

As crianças e adolescentes têm a oportunidade de fazer perguntas, dividir alegrias e tristezas relacionadas aos familiares, à escola e aos amigos, falar de namoros e de futuro, enquanto os voluntários, muitas vezes, curam antigas feridas ao acompanharem relatos de histórias semelhantes.

O projeto, que nasceu em 2004, contava em agosto de 2008 com 1.252 pessoas – metade de crianças e adolescentes e metade de voluntários – sendo que 11 mil cartas já foram escritas. No entanto, com a crise o projeto enfrenta problemas de arrecadação. São 138 voluntários na lista de espera que não podem agir devido a falta de recursos. O projeto utiliza R$ 38 por criança por mês, que por dia dá cerca de R$ 1,22, isto é, nem o preço de um chocolate ou uma Coca-Cola.

Outra iniciativa de empreendedorismo social de sucesso é a ONG Viver e Sorrir presidida pelo médico Benjamin Kopelman, vice-presidida por Liliana Takaoka, visando garantir a vida e a qualidade de vida de bebês prematuros de famílias necessitadas.

Pode parecer a primeira vista que os bebês prematuros são apenas prematuro e irão se desenvolver e crescer como qualquer bebê. Às vezes sim, mas nem sempre. Os recém-nascidos de muito baixo peso apresentam maior risco de morbidades como paralisia cerebral, retardo mental, problemas escolares, deficiência de crescimento e distúrbios visuais, auditivos e respiratórios. Nas populações economicamente carentes o risco é ainda maior por fatores maternos como baixo nível socioeconômico, assistência pré-natal ausente ou inadequada, nutrição deficiente, trabalho extenuante, e doenças não diagnosticadas como diabetes, hipertensão, anemia e infecções.

A questão é que existem tecnologias e tratamento para a criança de nascimento prematuro, no entanto, o acesso é restrito e o desenvolvimento desse bebê se deve também a estrutura familiar e seu nível socioeconômico e educacional. A ONG procura, em parceria com a disciplina de Pediatria Neonatal da Unifesp, oferecer desde melhorias na UTI neonatal, transporte das mães necessitadas para que estejam com seus filhos internados ou para levá-los às consultas médicas, equipamento de reabilitação das crianças, vestuário, cestas básicas e medicamentos, até apoio às famílias facilitando o acesso aos serviços de saúde, informando sobre higiene, saúde e direitos sociais, propiciando meios para melhoria das condições de moradia, saúde e educação. O acompanhamento muitas vezes se dá até os 15 ou 20 anos do prematuro, em que a família também é assistida por voluntários da ONG.

Não se pode ter noção de como isso pode fazer a diferença para alguém. São verdadeiras oficinas de sensibilização, que não saem nos noticiários. É interessante a possibilidade de replicabilidade destas mensagens do bem. Idéias boas todos têm, a dificuldade esta em operacionalizar e concretizar essas idéias e fazer realmente a diferença.

Eu, como ambientalista, poderia estar aqui defendo a colaboração à ONGs ambientalistas, mas a escolha das entidades se deu justamente para que, neste dia das mães, pensemos nas crianças e mães necessitadas que encaram inúmeras dificuldades diariamente e que muitas vezes nem nos damos conta.

Tenho escrito muito sobre o consumo sustentável, que segundo o Instituto Akatu é “consumir levando em consideração os impactos provocados pelo consumo”. Minha proposta é que neste dias das mães, ao invés de presentear nossas mães com mais uma bugiganga, por que não darmos a elas algo que tenha um impacto positivo real sobre o planeta: uma oportunidade para outras crianças que têm necessidades reais e precisam de uma simples ajuda como as propostas por essas iniciativas.

Contribuam doando recursos financeiros, se voluntariando, divulgando em jornais e revistas ou outros veículos, ou até mesmo disseminando para seus amigos estas e outras atividades do bem.

 

            O contato da InPrós é www.inpros.org.br ou nos telefones (11) 3257-0811, (11) 3578-4178 ou (11) 3571-0509 e o da Viver e Sorrir é www.viveresorrir.org.br ou pelo telefone (11) 55 71-9277.