Nobel da Paz: acerto ou erro?

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- agosto 23, 2013

Causou espanto a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos EUA Barak Obama, inclusive ao próprio. Teriam os responsáveis se precipitado ao conceder o Prêmio ou estaríamos diante de uma estratégia de compromisso? Aumentaria a responsabilidade do Presidente dos EUA com certos temas de campanha, a exemplo da paz no mundo, notadamente no Iraque e Afeganistão?

Pessoalmente, acredito que o Prêmio Nobel da Paz representa uma tendência importante de valorização de temas e instituições.

Se fizermos uma análise dos últimos anos, tivemos os seguintes prêmios: em 1999, Médicos Sem Fronteiras, em reconhecimento pelo trabalho humanitário pioneiro em diversos continentes; em 2000, Kim Dae- Jung, sul coreano que dedicou seu trabalho essencialmente para a paz e reconciliação com a Coréia do Norte; em 2001 a Organização das Nações Unidas e seu então Secretário Geral Kofi Annan receberam o Prêmio pelo trabalho por um mundo mais pacífico; em 2002 o americano Jimmy Carter foi o laureado escolhido por décadas se esforçando pelo encontro de soluções pacíficas em conflitos internacionais e pelo desenvolvimento econômico e social; em 2003 Shirin Ebadi, iraniana, defensora dos direitos humanos e da democracia em seu país; em 2004, Wangari Maathai, queniana, ganhou o Prêmio por sua longa trajetória a favor do ambientalismo e direitos humanos; no ano de 2005 a Agência Internacional de Energia Atômica e Mohamed ElBaradei, do Egito, foram os premiados por seus esforços em combater o uso da energia nuclear e assegurar que sua utilização tivesse fins pacíficos; em 2006 Muhammad Yunus e o Grameen Bank receberam o Prêmio pela promoção do desenvolvimento econômico e social das classes desfavorecidas, por meio do micro crédito; em 2007 Al Gore e o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) receberam o Prêmio por seus enormes esforços e contribuições na obtenção e disseminação das conclusões sobre as mudanças climáticas; em 2008 Martti Ahtisaari, finlandês, ganhou o Prêmio pela sua contribuição ao longo de três décadas para a solução de conflitos internacionais e por fim, este ano, o Presidente dos EUA, Barak Obama, ganhou o prêmio por seu esforço em reforçar o papel da diplomacia internacional e da necessidade de cooperação entre os povos.

Como se vê, os temas valorizados foram pobreza e micro crédito, meio ambiente e luta contra o apartheid, mudança do clima, Nações Unidas e visão multilateral na resolução dos problemas mundiais, cooperação entre os povos, fim de conflitos internacionais, dentre outros.

Dentro desse contexto, não há como negar que o Prêmio ao Presidente Obama tem uma importância às vésperas da negociação de Copenhague e diante dos problemas de paz mundial. No que tange à Copenhague, cada vez mais se torna evidente a necessidade de medidas urgentes em termos de estabilização do clima no planeta, sendo que é absolutamente inaceitável um novo regime internacional sem a presença dos EUA. Para tanto, todos aguardam ansiosamente a votação da lei Waxman-Markey em tramitação no Senado.

Hoje se discute a possibilidade de se criar uma categoria para meio ambiente. Tenho dúvidas, mas, de qualquer modo, penso que a Gro Brundtland e Maurice Strong mereceriam ter ganho, no passado, o Prêmio Nobel da Paz, pelas suas respectivas contribuições.

Os responsáveis pelo Nobel assumiram um grande risco, restando saber no futuro se valeu a pena. Não se pode esquecer que Gandhi nunca ganhou o Prêmio, ou seja, erros no passado já foram cometidos, muitos por omissão. E alguns permanecem polêmicos até hoje…

 

Texto Publicado no Terra Magazine.