O futuro da pediatria

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- setembro 30, 2013

Recentemente participei da inauguração de uma nova unidade neonatal, “Unidade Neonatal Chella e Moise Safra”, no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina.

É uma iniciativa da própria escola com a ONG Viver e Sorrir e com doação da família Safra. Aprendi, na minha convivência com a Liliana Takaoka e a Dra. Ana Lúcia Goulart, dirigentes da ONG, as dificuldades que as famílias de prematuros enfrentam.

Com os avanços da tecnologia, hoje, crianças com menos de um quilo têm chances de sobreviver, desde que recebam o apoio médico necessário. E, mais do que isso, que as famílias possam oferecer o apoio que as mesmas necessitam no decorrer de suas vidas.

As famílias mais humildes nem sempre têm condições de atender seus filhos. Enquanto eles estão hospitalizados, muitas vezes é mais fácil do que ao terem alta, seja em questões simples como amamentação adequada até as mais complexas, quando esses prematuros apresentam sequelas.

De acordo com relatório desse ano das Nações Unidas, “Born too soon”, 1 em cada 10 bebês nasce prematuro no mundo. E, segundo o mesmo, para que estes possam sobreviver, são necessárias ações e políticas públicas.

Em 2010, a ONG Viver e Sorrir elaborou uma proposta denominada “Política Estadual de Assistência ao Pré-natal”, com objetivo de que o Poder Público ofereça condições objetivas no atendimento a tais crianças e suas famílias.

E, se for possível, apresentando o mesmo modelo institucional da Escola Paulista de Medicina de articulação universidade/governo/sociedade civil e setor empresarial.

A título de ilustração, o papel da Viver e Sorrir é organizar o apoio de profissionais de várias áreas, tais como dentistas, psicólogos e fonoaudiólogos que voluntariamente prestam seus serviços.

Em outras palavras, ainda que seja uma gota no oceano, além de ajudarem muitas crianças desde seu nascimento até os seus 18 anos, está se criando uma referência que pode vir a ser replicada pelo país inteiro.

Na inauguração daquela unidade neonatal, a pessoa mais homenageada foi o pediatra Benjamin Kolpelman por uma razão simples: tem dedicado a sua vida à pediatria e ainda que professor aposentado, continua na ativa.

Penso que o exemplo, neste caso, é muito importante no momento em que esta especialidade tem atraído poucos acadêmicos pelo fato de que os rendimentos são muito menores.

Os jovens médicos, infelizmente, preferem especialidades como cirurgia plástica, de modo que hoje os governos têm enormes dificuldades em atrair profissionais para trabalhar em seus hospitais.

O que aprendemos neste exemplo está contido em uma estrofe de Alberto Caeiro: “Eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura”. Com essa inspiração, pais de filhos prematuros estão dando este bom exemplo.

E quem também já viveu o problema, pode ajudar. Por fim, um trecho do juramento de Hipócrates para o leitor: “Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência (…)” (Hipócrates, 450 a.C.).

Artigo publicado em 18 de outubro de 2012.