O Futuro em Jogo

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- outubro 10, 2013

Acabou na última sexta-feira a reunião realizada em Bangcoc, Tailândia, para discutir os próximos passos a serem seguidos para a formulação de um acordo internacional que dê continuidade ao que foi estabelecido pelo Protocolo de Kyoto, no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A reunião contou com a participação de cerca de 160 países que definiram, durante os 5 dias de encontro, a agenda de negociações de um novo acordo para combater de maneira mais certeira e completa a mudança climática a partir de 2012, quando termina a vigência do período de compromissos estabelecido pelo Protocolo de Kyoto. Tal acordo começará a ser negociado em junho na Alemanha e o tema central dessa primeira reunião será a transferência de tecnologia dos países industrializados para aqueles em desenvolvimento, como forma de garantir que estes últimos tenham acesso às modernas tecnologias que permitem emitir menor quantidade de CO2 para a execução das mesmas tarefas. Este tópico é tido como prioritário para os países em desenvolvimento, já que a única coisa que pode garantir que estes países continuem se desenvolvendo e que consigam manter padrões mais rígidos quanto a suas emissões é a adoção de modelos mais eficientes de geração de energia e utilização dos recursos.

Em seguida, será realizada em agosto uma reunião em Gana para debater o papel do reflorestamento e do combate ao desmatamento no tema das mudanças climáticas, assunto esse que segundo os cientistas é de vital importância para o planeta, já que são medidas essenciais no combate ao agravamento das mudanças climáticas, bastando lembrar que o desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões globais atuais. Já no Brasil, o desmatamento é responsável por cerca de 70% das emissões nacionais, sendo basicamente localizado na região Amazônica, fato este que, como sempre saliento nesta coluna, merece especial atenção de nossos governantes.

Pela primeira vez na berlinda, o setor de transportes, responsável por cerca de 3% das emissões globais, foi incluído no documento produzido como sendo um setor que merece especial atenção dos tomadores de decisão e que, diferentemente do acordo anterior, terá sim que ter metas de redução de emissão: as viagens aéreas e marítimas haviam sido excluídas dos planos de redução prometidas pelos países industrializados no Protocolo de Kyoto.

Como sempre em negociações internacionais, os impasses tomaram conta dos 5 dias de reunião, mas por fim chegou-se a uma agenda razoável de reuniões. A principal dificuldade foi a de sempre: como distribuir o sacrifício da redução das emissões. A União Européia quer uma meta de corte de 25% a 40% das emissões até 2020 (em relação aos níveis de 1990). O Japão quer estabelecer metas não nacionais, mas sim por setores da economia. Os EUA, maiores emissores do mundo, resistem a metas nacionais obrigatórias enquanto China e Índia não as adotarem.

O importante é que se consiga equacionar todas essas demandas e vontades em prol de um acordo que dê a devida continuidade ao que foi introduzido pelo Protocolo de Kyoto: redução nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Reitero, que a meu ver, os países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil devem sim ter metas de redução, mas claro, condizentes com a sua responsabilidade histórica pelo problema. Entretanto, é necessário que todos assumam responsabilidades, já que a urgência em se tratar do assunto já é recorrente e mais que comprovado. O andamento destas negociações ditará o futuro climático do planeta, agora é esperar para ver…