O Pré-Sal. Enfim… o “Petróleo é Nosso”. Que Deus nos acuda.

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- outubro 10, 2013

O Brasil está fissurado no pré-sal: a salvação da lavoura. Todos os problemas do país serão resolvidos com o dinheiro gerado pelo usufruto desse petróleo encontrado nas profundezas de nossa costa. Governadores e políticos de maneira geral disputam a tapas os royalties provenientes de sua utilização. Uma nova Petrobras está sendo discutida.

No entanto, pouca gente discute o principal dilema que o pré-sal traz para a sociedade brasileira. Em tempos de reconhecimento de que o aquecimento global existe, tendo como principal causa a queima de combustíveis fósseis, estaremos “carbonizando” a nossa economia e a nossa sociedade?

Sei que é uma questão complexa e difícil porque o acesso a essas reservas de petróleo pode suprir as demandas brasileiras de energia para a promoção do nosso crescimento econômico. Porém, se estamos exigindo da China e Índia que mudem suas matrizes energéticas, assumindo compromissos de redução de emissão de gases de efeito-estufa, como simplesmente caminhar na direção contrária, comprometendo o esforço mundial pelo clima do planeta?

O prêmio Nobel dado ao Painel Intergovernamental de Mudança do Clima pelos seus esforços nos últimos 20 anos de nada valeu. A partir de agora passaremos a ser ardorosos defensores do petróleo, ignorando solenemente os alertas da comunidade científica de que caminhamos irreversivelmente para o caos, caso não tenhamos capacidade de estabilizar o sistema climático do planeta, substituindo os combustíveis fósseis e reduzindo o desmatamento das florestas tropicais.

Enquanto o país é tomado por essa euforia ufanista de que enfim o “Petróleo é Nosso”, confesso, do fundo do coração, que me sinto completamente perdido. Levantar a bandeira por uma sociedade brasileira mais sustentável parece completamente fora de hora, como se a sustentabilidade perdesse completamente o sentido nesse contexto. Fico imaginando o Brasil ao lado das posições de George W. Bush nas negociações internacionais, torcendo pelo fracasso de qualquer esforço de assegurar aos nossos filhos um planeta decente. Deveríamos já nessas eleições americanas desejar do fundo da alma a vitória dos republicanos, ainda que me pareça inevitável que os Estados Unidos venham a sair do isolamento nessa questão.

Nesse quadro devemos respirar fundo e imaginar que somos capazes de pensar de modo diferente. Colocar uma pitada de bom senso nessa discussão e ainda que pareça “sonhadora e utópica” engajar os brasileiros no debate, lembrando que dificilmente algum partido político de expressão terá coragem de assumir riscos perante essa euforia. Entretanto, o ajuste de contas se dará inevitavelmente com as futuras gerações…