O recado das urnas nas eleições americanas

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- setembro 30, 2013

As eleições americanas demonstraram as dificuldades de um país democrático, cuja constituição inspirou muitos países e que se demonstrou eficaz nesses longos anos de sua existência.

Entretanto, o sistema de escolha do Presidente da República através do colégio eleitoral tem revelado, nas últimas eleições, muitas fragilidades, demonstrando os desafios de se fazer uma reforma política naquele país.

O sistema americano de representação política baseado no voto distrital puro, com eleições na Câmara dos Deputados (House of Representatives) a cada dois anos, traz enormes obstáculos à principal potência mundial.

Seus representantes têm o seu olhar focado majoritariamente em questões que afetam seus distritos eleitorais (constituency) e, com isso, perdem a oportunidade de ter uma visão mais ampla sobre o papel que o país tem no mundo.

No Brasil o sistema de representação política existente vive uma situação diametralmente diferente pela inexistência do voto distrital, sendo que há um grande consenso de que o ideal seria implantarmos o voto distrital misto.

A vantagem deste último é que o eleitor poderia escolher o representante que melhor defende os interesses do seu distrito e, com o voto no seu candidato proporcional, teria a oportunidade de fazer uma escolha naquele que melhor representa suas idéias.

Hoje, no sistema atual, político de oposição está sempre em desvantagem no atendimento legítimo das “demandas do seu distrito”, sendo inquestionável o poder de cooptação do Executivo através das emendas parlamentares.

Com isso, perde a democracia, de modo geral, pela fragilização da oposição e o próprio governo que, pela inexistência de questionamento efetivo de suas políticas, está a médio e longo prazo mais exposto a riscos.

Muita gente deve encarar tais observações como ingênuas, considerando que a disputa de poder entre os partidos políticos estará sempre acima das questões de interesse público.

Mas o exercício de novas práticas democráticas está cada vez mais exigindo dos agentes políticos tradicionais maior permeabilidade às inovações, especialmente com as novas tecnologias de informação.

O melhor exemplo está na transmissão ao vivo das sessões dos Parlamentos que permitem ao cidadão acompanhá-las e, com isso, fiscalizar os seus parlamentares. Não estou me referindo apenas ao Congresso Nacional e às Assembléias Legislativas, mas fundamentalmente às Câmaras Municipais que hoje estão mais transparentes do que nunca.

Há menos de uma década, estas Câmaras eram controladas por “caciques locais”, que se revezavam no seu comando e cujo desempenho era praticamente impossível de se monitorar.

Nos próximos anos assistiremos, inevitavelmente, novas transformações nos regimes democráticos que vivemos e muitas delas irão ocorrer mais influenciadas pelas inovações tecnológicas do que pela ação dos partidos políticos.

Estes, para sobreviver, terão que se adaptar e aproveitar das novas mídias para repactuar sua relação com os eleitores. É uma questão de tempo.

Artigo publicado em 22 de novembro de 2012.