Os riscos de Romney

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- outubro 7, 2013

Aproximam-se as eleições dos Estados Unidos. Do seu resultado depende o futuro da humanidade, ainda que muitos afirmem a perda de poder e prestígio da grande potência americana. Se vivêssemos uma democracia em que todos os afetados participassem da decisão, seríamos todos eleitores, uma vez que é incontestável a influência global das decisões tomadas nos EUA.

Nas últimas eleições torci para a vitória de Obama. Afinal, como havia previsto anos antes Monteiro Lobato, simbolicamente a eleição de um presidente negro representou um marco importante na luta contra o racismo e na consolidação dos direitos civis e humanos tão arduamente conquistados pelos americanos.

Mas, do ponto de vista das teses ecológicas planetárias, qualquer avanço seria importante desde a eleição de George W. Bush, que tirou os Estados Unidos do Protocolo de Kyoto após sua primeira eleição, em 2000, tornando-se mais conservador do que seu pai, que, aliás, esteve na Rio 92.

Há que se assinalar que muitos dos avanços na área de meio ambiente se deram sob a liderança republicana, a exemplo da criação do Enviromental Protection Agency (EPA) por Richard Nixon, em 1970.

Foi no seu governo que também foi aprovado o Clean Air Act, principal marco regulatório de controle de poluição nos EUA, em 1970. Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, também teve papel importante nas políticas climáticas daquele estado.

Tudo isso para afirmar que, em termos absolutos, nem sempre os democratas se mostraram com mais disposição para liderar esses temas do que os republicanos.

O grande ícone democrata foi o ex-senador e vice-presidente Al Gore que foi um dos agraciados pela sua luta contra o aquecimento global com o Prêmio Nobel da Paz juntamente com o IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.

Uma das grandes dificuldades do presidente Obama foi a resistência do Congresso americano. Este, no que tange à política externa, tem um peso muito maior do que o parlamento brasileiro, valendo assinalar o papel do Senado nesta agenda.

Vários fatores explicam a resistência cultural ao multilateralismo, encarado como uma espécie de “conspiração” contra os interesses e a soberania do país. Além disso, o modelo de representação política, baseado unicamente no voto distrital puro.

Vejamos o exemplo de um deputado oriundo de um estado no qual o carvão tem um forte peso na economia local. Abrir mão dessa fonte de energia significará perdas para esse estado e, com isso, fissuras na base eleitoral (“constituency”) deste parlamentar. É o caso do próprio Obama, eleito por Chicago.

Os americanos são extremamente sensíveis ao aumento de impostos, o que se revela na resistência a qualquer possibilidade da criação de uma taxa de carbono.

Ainda que o presidente Obama tenha muito a fazer nesta agenda e que tenha decepcionado, não há dúvida de que a eleição de Mitt Romney representa riscos muito maiores.

O candidato a vice-presidente Paul Ryan é um dos mais eloquentes representantes do Tea Party, que ostensivamente se manifesta contra a Agenda 21 e as conquistas obtidas nas negociações internacionais. Enfim, o planeta depende da vitória de Obama.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 16 de agosto de 2012.