Produção mais limpa

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- outubro 10, 2013

Participei da 11ª Edição da Conferência Produção Mais Limpa no Memorial da América Latina e fiquei surpreso com o número de participantes.

Mais de 3 mil pessoas lotaram o local, o que em si demonstra o interesse pela Rio+20 e pelas temáticas ambientais.

Uma das perguntas costumeiras em tais eventos é: o que mudou nos últimos 40 – 20 anos, respectivamente da primeira Conferência em Estocolmo e da Rio 92?

É realmente incontestável que estamos em um outro patamar de consciência ambiental: em 1972 se colocava a agenda ambiental que conhecemos hoje com a publicação do livro “Os limites do crescimento” pelo Clube de Roma.

As entidades não governamentais estavam sendo criadas naquele ano, a exemplo do Greenpeace, fundado em 1971.

Em 1992, já tínhamos uma sociedade civil mais bem organizada e a Conferência provocou a maior mobilização havida em todos esses anos, repetida em parte em Copenhague, na 15ª Conferência das Partes (COP 15).

Nas duas últimas décadas, a temática ambiental ganhou expressão em muitos campos, a começar pelo setor empresarial, que vem assumindo papel relevante na internalização da dimensão da sustentabilidade em seus negócios, em que pese sempre o risco do greenwashing.

Uma das evidências concretas dessa afirmativa é o espaço que os relatórios de sustentabilidade passaram a ter, impulsionados pela criação do Global Reporting Initiative (GRI) em 2000.

Entre outros, podemos também citar o Dow Jones Sustainability Index e o Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&F Bovespa.

No entanto, o mais importante em relação ao setor empresarial é a ideia de que a sustentabilidade deve estar intrínseca ao modelo de negócio e não estar associada a uma expressão de filantropia ou algo semelhante.

No Brasil, tivemos ganhos positivos nos últimos anos, como o advento de uma legislação consistente: desde a gestão de água, de resíduos sólidos, passando por educação ambiental, biodiversidade, até mudança do clima.

Mas, do mesmo modo que acontece com as decisões das Nações Unidas, existe um enorme déficit de implementação, dada a fragilidade institucional do poder público de maneira geral.

No evento, o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, reconheceu que há muito a se fazer em todas as áreas, mas mostrou que muito foi feito se compararmos com o período pré-Eco 92.

Como não poderia deixar de acontecer, um dos temas que mais atraiu a atenção foi o do Código Florestal, com a manifestação do diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, sobre a campanha “Veta Dilma”.

Nos debates, muitos mostraram indignação pelos resultados da votação na Câmara dos Deputados e com os escândalos envolvendo a CPI de Carlos Cachoeira.

E aí, sempre há que se fazer um alerta, valorizando a democracia e a necessidade da reforma política, até mesmo para permitir que políticos de boas causas tenham chance de se eleger, ainda que não sejam capazes de angariar os milhões de reais necessários para financiar suas campanhas.

Um bom exemplo de um político de opinião, presente e engajado, é o vereador Gilberto Natalini, cuja liderança tem permitido que este evento se realize há pelo menos dez anos e atraia um público sedento de informações e disposto a se engajar nas lutas pela cidadania planetária.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 10 de maio de 2012.