Relatórios de insustentabilidade

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- setembro 30, 2013

Tem sido constante a discussão do papel dos Relatórios de Sustentabilidade Empresarial como ferramenta de comunicação e prestação de contas das empresas com suas partes interessadas. Alguns se encantam com os sorrisos de crianças estampados em belas fotos, outros se indignam questionando a veracidade das informações apresentadas.

Em maio deste ano a Conferencia da Global Reporting Initiative, principal organização no mundo a promover diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, o principal tema debatido foi o que os leitores acham e esperam dos relatórios das empresas. A resposta foi unanime: a verdade. Mas o que é verdade? Como Garanti-la? Como verifica-la?

Acredito que o sentimento por tras desses questionamentos reside muito mais no fato de que a sociedade em geral não espera que as empresas sejam perfeitas, diferentemente do que tentam demonstrar com belos projetos comunitários, apoio a iniciativas culturais e patrocínios mil.Os leitores sabem que há muito ainda a se transformado e feito pelas empresas, e  esperam, ao menos, que o desafio seja reconhecido.

Organizações da sociedade civil admitem não ler os relatórios, pois não é lá que encontrarão as informações que necessitam para realizar seu trabalho de pressão construtiva para um planeta mais saudável. Para diversas organizações o relatório deveria ser um instrumento de avaliação de performance em sustentabilidade e de diálogo com a sociedade, e não uma peça de publicidade.

Isto não quer dizer que as empresas não estejam de fato buscando melhorar seu desempenho social e ambiental, ou que tenham que publicar propositalmente aspectos negativos de sua atuação apenas para dar equilíbrio  ao relatório. Não acho que o balanço entre prós e contras seja a chave para conquistar e reconquistar a confiança dos leitores.

O que falta então? Entendimento e coragem. Entendimento do que realmente significa sustentabilidade e das mudanças profundas e necessárias para se chegar a a ela. Coragem para, a partir desse entendimento, avaliar a sério de que forma seu negócio contribui para a insustentabilidade do nosso planeta, em todas as escalas mesmo que essas insustentabilidade seja inerente ao próprio negócio. Coragem também para assumir metas que reduzam significativamente essa contribuição, com clareza em relação ao destino final. Mesmo que transformações significativas sejam necessárias para se chegar lá.

Pintar o mundo cor-de-rosa não é estratégia para sustentabilidade, e se convence a alguém, é por tempo limitado. Definitivamente um relatório de “insustentabilidade” prenderia a minha atenção e ganharia o meu respeito.