Roberto Klabin: visionário e empreendedor

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- setembro 30, 2013

Dando continuidade à idéia de chamar atenção para líderes que vem se destacando nos últimos anos na sustentabilidade, chegou o momento de mencionar Roberto Klabin e sua narrativa.

Klabin, como o nome revela, vem de uma família empresarial muito importante, que se destacou nas últimas décadas em vários setores da economia, notadamente o de papel. Isto significou para Roberto, a vida inteira, a necessidade de lidar habilmente com este legado familiar.

No início de sua trajetória como ambientalista, sempre tinha a necessidade de explicar o que um Klabin – um dos herdeiros do grupo empresarial, fazia no movimento ecológico.

Naquela época, meio ambiente e sustentabilidade viviam longe da agenda dos empresários e dos governos. Bem como militar nas Organizações não Governamentais (ONGs) significava confrontar as grandes empresas.

Mas Roberto, desde os bancos escolares na Universidade de Direito da USP, revelou-se um grande “ambientalista”, antes mesmo desse termo se tornar trivial. Na famosa “Peruada”, comum no Largo São Francisco, foi o primeiro a defender os direitos dos animais.

Ainda na década de 70, como estudante, fez o seu primeiro estágio na Cetesb, sendo uma dos militantes anônimos a protestar a favor da Reserva Florestal em Caucaia do Alto, local escolhido para se implantar o aeroporto de São Paulo.

Na década de 80, Roberto foi um dos fundadores da OIKOS – União dos Defensores da Terra, uma espécie de “Greenpeace brasileiro”, que se tornou uma das principais ONGs do país com vasto currículo: defesa do Pantanal contra os caçadores que exterminavam os jacarés do bioma; defesa do desenvolvimento sustentável no Brasil, escolhendo como símbolo o exemplo de Cubatão, cidade à época a mais poluída do mundo; combate ao uso indiscriminado de pesticidas na campanha contra a pulverização aérea na região de Campinas contra a praga do bicudo do algodão.

Enfim, uma entidade constituída por poucas pessoas, mas com enorme capacidade de realizar campanhas simbólicas de mobilização da opinião pública.

Durante esse período, Klabin resistiu a muitas pressões por parte do setor empresarial, que não compreendia como alguém de seu quilate poderia estar envolvido em questões tão subversivas.

Encerrado esse período da OIKOS, Klabin foi um dos fundadores da Fundação SOS Mata Atlântica, tornando-se seu presidente. E aí construiu a mais prestigiosa entidade brasileira de meio ambiente. A Mata Atlântica hoje é conhecida por todos os brasileiros em função das campanhas da SOS e é o único bioma nacional protegido por uma legislação específica.

É importante assinalar que Roberto, como empresário, foi responsável por introduzir a ideia de ecoturismo na agenda brasileira, tornando sua fazenda no Pantanal um dos únicos e bons exemplos de empreendedorismo sustentável no mundo: a Pousada Caiman.

Klabin sai nesta semana da presidência da SOS Mata Atlântica, deixando vários desafios. Para ele, reinventar seu projeto existencial com a mesma envergadura do que construiu até aqui. E para a SOS, o desafio de se repensar e ter a coragem de promover as mudanças que os novos tempos exigem.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 23 de maio de 2013.