Sustentabilidade planetária

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- outubro 14, 2013

Depois de muitos anos envolvido com a questão ambiental, assumindo as mais diversas posições em ONGs, sociedade civil, parlamento, governo, empresa, é inegável o avanço da consciência ambiental no mundo.

Palavras como “biodiversidade” foram inventadas há pouco mais de vinte anos e hoje a sua utilização é absolutamente corriqueira. Situações e circunstâncias como Cubatão são intoleráveis hoje, embora, na década de 70, aquele município tenha se transformado no símbolo de poluição enquanto sinônimo de progresso.

A própria ideia de sociedade civil organizada através de ONGs é recente no mundo como conhecemos hoje.

Empresas, enquanto organizações que até a década de 70 eram pensadas apenas para gerar lucros para seus acionistas e, com isso mover a economia, hoje são vistas como centro de interesses de diversos stakeholders (partes interessadas) exigindo-se um balanço entre o lucro e a dimensão social e ambiental das suas atividades.

O conceito de desenvolvimento sustentável foi cunhado pelo Relatório Nosso Futuro Comum, liderado pela ex-primeira ministra da Noruega Gro Brundtland e hoje é amplamente utilizado nos mais diferentes contextos.

De acordo com aquele relatório, “Desenvolvimento sustentável é aquele que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.”

Embora essa mudança cultural esteja em curso, a entrada do planeta no antropoceno exige uma velocidade nas transformações capaz de incorporar o senso de urgência da crise ambiental planetária.

Apenas a título de esclarecimento, entende-se como antropoceno o momento em que a Humanidade exerce uma força geológica no planeta.

Como e o que fazer para que essa consciência se transforme efetivamente em mudança de comportamento é o grande desafio de qualquer um de nós, especialmente de pessoas como eu que militam nessas causas há muito tempo.

Certamente, temos razões de sobra para otimismo, mas por outro lado, permanece o compromisso ético de buscar essas mudanças, colocando os desafios para cada um de nós e para a sociedade como um todo.

Diante desse contexto, durante os últimos quatro anos, participei com a Editora Terra Virgem, a minha equipe e outras pessoas na elaboração de um livro cujo título procura colocar estes desafios: sustentabilidade planetária, onde eu entro nisso?

A ideia central do livro é provocar o leitor pela sua não obviedade e conta com uma abordagem visual formulada pelo editor e fotógrafo Roberto Linsker e pelo diretor de arte Ciro Girard, de modo que as informações do texto provoquem uma emoção no leitor, capaz de tirá-lo da zona de conforto.

O mais importante nesse trabalho é reconhecer que os temas tratados alcançaram tal complexidade que encontrar um balanço entre transmitir conteúdos sem perder consistência se tornou algo extremamente difícil.

Além disso, temas como o aquecimento global são portadores de tamanha magnitude que motivar as pessoas a fazerem sua parte e compreender que sua atitude na esfera pessoal faz a diferença, parece ser a grande lição do ambientalismo contemporâneo.

Assim, com toda humildade, tenho curiosidade de saber se a opção escolhida por nós no livro será capaz de, no mínimo, alcançar este objetivo de provocar e inspirar as pessoas.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 12 de dezembro de 2011.